Reação ao Prefácio e Capítulo 3 Tempo/Espaço de:   

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001 
A leitura dos textos recomendados, suscitou o pensamento que o desafio contemporâneo se mostra em não ser tão fluído a ponto de não ter uma opinião própria e nem tão rígido a ponto de radicalismos.
A fluidez, enquanto principal metáfora para o atual estágio da era moderna, na qual os líquidos se movem facilmente e apresentam como característica a dificuldade de contenção, conforme afirmou Bauman (2001), imagino representada pelas informações que correm rapidamente devido ao avanço da tecnologia da informação e comunicação (TIC), que nos chegam pelo uso da internet.
Na área educacional há sempre pesquisas referentes a novas metodologias e relação ensino-aprendizagem, o que provoca em alguns profissionais inconsistência em qual rumo pedagógico tomar, diante da prática pedagógica cotidiana. Em oposição a estas reações, encontra-se a rigidez de posturas tradicionais, que manifestam falas saudosistas que afirmam que os tempos passados eram melhores em relação as áreas sociais, educacionais e outras.
Diante deste contexto, o autor afirma que a modernidade não foi fluída desde a sua concepção, para cada época histórica houve a necessidade de um período de transição, marcado por lutas e radicalismos de ideias e neste embate, os líquidos afetam os sólidos. Sobre isso, penso em exemplificar com a relação alegria X competência: em uma visão mais sólida espera-se de um profissional competente uma postura sisuda e formal e ainda há resistências na aceitação da eficácia de profissionais com postura de manifestada leveza, diálogo e alegria, ou seja, certa fluidez e isto representa um resíduo do passado no presente. Assim:
Para poder construir seriamente uma nova ordem (verdadeiramente sólida) era necessário primeiro livra-se do entulho com que a velha ordem sobrecarregava os construtores. "Derreter os sólidos" significava, antes e acima de tudo, eliminar as obrigações "irrelevantes" (BAUMAN 2001, p. 5).
O autor se refere as coisas da modernidade as quais não adianta resistir, como por exemplo o uso da tecnologia, mudança no conceito de família. Por outro lado, o "derretimento dos sólidos levou à progressiva liberação da economia de seus tradicionais embaraços políticos, éticos e culturais" (BAUMAN 2001), que gerou descontrole dos mercados financeiro, imobiliário e das relações de trabalho.
Atualmente, a modernidade pode ser estudada via diferentes marcadores, que apontam a aceleração das mudanças, enfatizando esta relação espaço e tempo na sua análise e modificando as relações e as formas de administrar seja um grupo, empresa ou nação. O que permanece é a busca pole poder, que se dá por meio de novas formas, se utilizando da fluidez estratégica e desprezando a rigidez da territorialidade das formas antigas de expansão territorial e dominação. Deste modo, "a desintegração social é tanto uma condição quanto um resultado da nova técnica do poder" (BAUMAN 2001, p.14).
Para discutir a relação Tempo/Espaço, o autor aponta novas formas da relação do espaço público e privado, sem desconectá-la da discussão de classes sociais. Passando por questões como a segurança, sentimento de pertença, referente a nova concepção de comunidade, que originou, de certo modo a sociedade da medicalização.
Ao referir-se a defesa da comunidade o texto define por suas fronteiras vigiadas de perto e não mais por seu conteúdo e relaciona tais questões ao movimento da vida urbana e o uso das máscaras da civilidade como atividade para proteger as pessoas umas das outras. Neste contexto, como se dá o uso dos espaços públicos e as formas de expressão?
As questões sobre o consumo também estão imbricadas nesta análise de uso do espaço público e do privado, estes locais de consumo são estrategicamente pensados e preparados para provocar a sensação de equilíbrio entre a liberdade de ação e a segurança. Isso suscita a lembrança da manifestação oriunda dos jovens da periferia, que trouxe à tona esta discussão em nossa sociedade, que ficou conhecida como os "rolezinhos". Assim, Traz-se a pauta a questão premente dos espaços coletivos. Eles realmente o são? O carnaval seria também outro exemplo desta relação entre o espaço público e o privado e o uso atual das sociais no decorrer dos tempos.
Neste contexto Bauman (2001) expõe que a principal característica da civilidade é a capacidade de interagir com estranhos utilizar dessa estranheza contra eles e sem pressioná-los a renúncia de alguns dos traços que os fazem estranhos, posto que a cultura é, antes de tudo, a etnicidade e ainda coloca que se a proximidade física não puder ser evitada, deve ao menos despir-se de ameaça.
As discussões sobre estas questões trazem em seu âmago reflexões sobre a construção da identidade de comunidades e de pessoas, bem como as relações neste processo e a história, tanto individual como social que estão imbricadas no mesmo processo macro.
Na atualidade as pessoas buscam na formação social o seu nicho seguro, valorizando a similaridade e o sentimento de pertença, que muitas vezes culmina com uma patologia social de exclusão dos diferentes.
Neste contexto, o autor propõe-se a discorrer sobre a dimensão tempo, iniciando com a afirmação de que" a modernidade é o tempo em que o tempo tem uma história" e afirma que "o tempo é diferente do espaço porque ao contrário deste, pode ser mudado e manipulado" (BAUMAN 2001, p.99).
Desde o começo da era moderna já se pregava que o tempo é dinheiro e a velocidade proporcionava maiores conquistas, como por exemplo a conquista de terras desde o século XVI até a velocidade na transmissão de dados na informação, atualmente. E isso mudou também as relações corpo-trabalho, bem como a relação empresa X cliente com o advento dos auto-atendimentos, sem deixar de refletir nos valores das relações sociais entre duráveis à transitórias, bem como a responsabilização pelos riscos e a busca por gratificação a curto prazo.
Todas estas reflexões me levaram a lembrar de um texto que li na internet há pouco tempo atrás e que agora compartilho com vocês:
As profundas colocações de Bauman, o texto e o vídeo acima mencionados, me lembraram do infortúnio recente que é um jogo que aflige as famílias de adolescentes que é o jogo da Baleia azul. Torna-se interessante acompanhar os movimentos e discursos em prol da temática e observar o quanto o problema é uma questão de foco. Muitas famílias e outros grupos sociais como escolas e religiões preferem combater o jogo do que travar um diálogo denso e franco com suas crianças e jovens como prevenção e a investir tempo e dedicação para formar filhos com personalidade forte, críticos e seguros, mas, para isso é preciso o tempo da escuta e o espaço da presença em todas as fases do desenvolvimento, situação que as famílias, nos tempos atuais, estão com dificuldades em articular pelas questões ora colocadas e outras tantas que requerem outros momentos reflexivos de comentários como esta.

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