Tecnologia Assistiva
Tecnologia Assistiva
No
dia 4 de julho, na Disciplina Educação, Comunicação e Tecnologias discutimos
sobre a temática Tecnologia Asssistiva. Os conteúdos teóricos da discussão
foram trazidos por mim, Fernanda Queiroz e por Tomé Maloa e o debate contou com
a participação dos mestrandos e doutorandos, o que tornou o seminário muito
rico e proveitoso.
Iniciamos trazendo alguns artigos da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS (1948), por meio dos quais pudemos comparar se eles são efetivamente cumpridos, tendo as pessoas com deficiência acesso. São eles:
• Artigo 19. Todo ser humano tem direito à liberdade de
opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter
opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer
meios e independentemente de fronteiras.
Neste contexto discutimos se as pessoas com
deficiência que não se utilizam da linguagem oral tem
acesso a outras formas de comunicação, por exemplo a comunicação alternativa ou
se a grande maioria ainda tem este direito negado. Tomamos por base o relato de
situações encontradas nas escolas.
Outro artigo que elencamos para discussão foi:
• Artigo
27. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da
comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus
benefícios.
Sobre
este artigo, tecemos um paralelo com a recém promulgada, Lei Brasileira da
Inclusão da Pessoa com deficiência, Lei 13.146 de 6 de julho de 2015. Esta lei tão
recente procura trazer garantia de igualdade para as pessoas com deficiência,
nos aspectos educacionais, culturais, no trabalho e lazer (BRASIL, 2015).
No
ensejo expusemos sobre o projeto Cine Acessível que acontecerá na Sala de
cinema da UFBA com o objetivo de: promover acessibilidade cultural as pessoas
com deficiência; demonstrar para os professores a importância da utilização
destes recursos de Tecnologia Assistiva no ensino para promover a possibilidade
de participação e a aprendizagem dos estudantes com deficiência e desenvolver
pesquisa voltada à área de Educação Especial e Tecnologia Assistiva.
Para
ampliar a discussão trouxemos a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência, em Nova Iorque (ONU,2007), ratificada no Brasil com status de
emenda constitucional pelos Decretos: nº 186/2008 e nº 6.949/2009.
A
definição de deficiência trazida por esta convenção é a seguinte: Pessoas com
deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física,
mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas
barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em
igualdades de condições com as demais pessoas.
Assim,
os impedimentos são encontrados nas funções e nas estruturas do corpo e as
barreiras encontradas pelas pessoas com deficiência podem ser físicas ou
atitudinais.
De
acordo com a LBI, Lei 13.146/2015, podemos encontrar a seguinte definição de
barreiras.
Barreiras:
entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a
participação social da pessoa e o exercício de seus direitos à acessibilidade,
à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação,
à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:
a)
barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e
privados abertos ao público ou de uso coletivo;
b)
barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e
privados;
c)
barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de
transportes;
d)
barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave, obstáculo,
atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o
recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de
comunicação e de tecnologia da informação;
e)
barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou
prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de
condições e oportunidades com as demais pessoas;
f)
barreiras tecnológicas: as que dificultam ou impedem o acesso da pessoa com
deficiência às tecnologias;
Neste
contexto, entramos no conceito de Tecnologia Assistiva:
É
uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba
produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que
objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de
pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social” (CAT, 2007).
Entendendo-se
por recurso, um produto ou equipamento, fabricado em série ou sob medida, usado
para melhorar as capacidades funcionais das pessoas com deficiência. E por serviços,
aqueles que auxiliam diretamente uma pessoa com deficiência a selecionar,
comprar ou utilizar os recursos de Tecnologia Assistiva (TA).
A
TA permite a pessoa com deficiência demonstrar o seu potencial e desenvolver
habilidades. Proporciona maior independência, qualidade de vida e inclusão
social; Ampliação da comunicação e da mobilidade; Controle sobre o seu ambiente
e Trabalho e integração familiar e social.
Para
um conceito de TA adequada ao contexto brasileiro, os membros do Comitê de
Ajudas Técnicas (CORDE/SEDH) se embasaram nas normas:
• Associação Internacional de Normalização (ISO
9999),
• Classificação Horizontal Européia de
Atividades em Tecnologia de Reabilitação (HEART),
• Classificação
Nacional de Tecnologia Assistiva, do Instituto Nacional de Pesquisas em
Deficiências e Reabilitação, dos Programas da Secretaria de Educação Especial,
• Departamento de Educação dos Estados Unidos (AMORIM
et al., 2009)
Com
apoio teórico da Classificação Internacional de Funcionalidade e Saúde – CIF
(OMS, 2004). Segundo a CIF, o modelo de intervenção para a funcionalidade deve
ser BIOPSICOSOCIAL e diz respeito a avaliação e intervenção em:
• Funções
e estruturas do corpo - Deficiência
• Atividades
e participação - Limitações de atividades e de participação.
• Fatores
Contextuais - Ambientais e pessoais.
Para
compreender e explicar a incapacidade e a funcionalidade, foram propostos
vários modelos conceituais: o Modelo Médico; o Modelo
Social e a Abordagem Biopsicosocial da deficiência.
No enfoque que a TA visa
melhorar a FUNCIONALIDADE das pessoas com deficiência (BRACCIALLI, 2007),
podemos classifica-la em:
A alta
tecnologia engloba equipamentos sofisticados que necessitam de controle de
computador ou eletrônico, tais como vocalizadores e sistemas de controle
ambiental. Esses dispositivos são produzidos em escala industrial e exigem
profissionais especializados para sua confecção.
Baixa
tecnologia são aqueles equipamentos ou recursos com pouca sofisticação e
confeccionados com materiais de baixo custo disponíveis no dia-a-dia. Esses
equipamentos são produzidos de maneira mais artesanal e individualizada.
Sobre
os recursos de baixa tecnologia, a autora afirma que os equipamentos de baixa
tecnologia, geralmente, são confeccionados pelos próprios familiares e amigos
do usuário ou por profissionais da fonoaudiologia, fisioterapia, terapia
ocupacional, ou pedagogos habilitados em educação especial, como por exemplo os
professores do Atendimento Educacional Especializado.
A
Classificação da TA, de acordo com a American
with Disabilities Act (ADA), para organizar a utilização, prescrição,
estudo e pesquisa destes recursos e serviços:
Recursos
de comunicação aumentativa e alternativa: pranchas de comunicação impressas ou
no tablets e vocalizadores;
Fonte: internet
Recursos de acessibilidade ao computador:
softwares específicos, acionadores;
Fonte: internet
Sistema
de controle de ambiente: via controle remoto, sensores, controle por voz;
Projetos
arquitetônicos para acessibilidade;
Órteses
e Próteses
Fonte: internet
Adequação postural;
Auxílios de mobilidade;
Auxílios para qualificação da habilidade
visual e recursos que ampliam a informação a pessoas com baixa visão ou cegas;
Auxílios para pessoas com surdez ou com
déficit auditivo
Mobilidade em veículos
Esporte
e Lazer: recursos que favorecem a prática de esporte e participação em
atividades de lazer;
Este
assunto terá continuação...














boa síntese do material do seminário! Ajuda a quem está procurando dados sobre TA.
ResponderExcluirFernanda, foi ótima a síntese mesmo, até porque perdi essa aula. É fantástico o mundo de possibilidades que as TIC oferece às pessoas com deficiência, mas é triste que muitos desses recursos estejam ainda fora do nosso alcance. Seria importante que o governo apoiasse mais essas pesquisas, facilitasse o acesso das famílias em termos de financiamento e isenção de impostos.
ResponderExcluirParabéns Fernanda! Gostei muito de lembrar daquela aula, é bom saber de todas aquelas opções que a tecnologia assistiva tem, mas acho que ainda flata muito por fazer. è bom que o mundo tenha pessoas como você para trabalhar nisso.
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