Cibercultura:
Para melhor compreensão da
Cibercultura, de acordo com Lévy, P. Cibercultura.
São Paulo, 1999, vamos retomar alguns conceitos essenciais do texto de Santaella,
L. Culturas e artes do pós-humano das mídias à cibercultura.
São Paulo. Paulus, 2003.
Cultura das massas
Tendo como principais
representantes deste período os meios de comunicação de massa, a TV e o Rádio.
São meios que permitem a interação, mas não a interatividade de seus
telespectadores ou ouvintes. Assim, modela os comportamentos e a linguagem,
influenciando os movimentos de consumo do mercado.
Cultura das mídias
Destina-se a públicos
específicos, ex: TV a cabo, internet. E são consumidos por demanda, onde o “usuário”
mantém uma relação personalizada com a mídia. A partir de 2004 o Brasil começou
a se preocupar com o desenvolvimento de políticas públicas para a inclusão
digital, portanto é muito recente.
Da cultura das massas e das
mídias para a cultura digital percebe-se um movimento do analógico para o
digital.
O Analógico e o digital são duas
maneiras de representar a informação. Não há forma melhor ou pior e sim de
acordo com o fim ao qual se destina.
ANALÓGICO: Contínuo, fenômenos
físicos, ex: vibração do som. Escrever em um papel. Trabalha com grandezas
contínuas. Nossos olhos são analógicos, a gente enxerga como um todo. Inteires,
mais pesado, porém é mais completo.
DIGITAL: pode saltar de um ponto
a outro, ex: relógio digital, não mostra o percurso percorrido como o de
ponteiros. Portanto, digitalizar é quebrar em micropartículas (BIT) e jogar
fora o desnecessário para compreensão. O que ficar da imagem, será transformada
em algoritmo matemático, portanto é mais leve. A linguagem desta codificação é
uma linguagem binária.
Cultura digital
A seguir, expomos algumas das vantagens
do digital:
·
Facilidade na correção de erros;
·
Compressão dos dados;
·
Convergência de mídias;
·
Boa qualidade;
·
Boa velocidade;
· Não linearidade, permitindo particularidade de
gostos e escolhas com opções via hiperlink e hipertextos
·
Possibilidade dos interagentes constituírem
redes.
Em relação a comunicação,
há a quebra do modelo emissor-receptor e na área escolar, há críticas a não
linearidade porque acham que pode dispersar o estudante de seu foco de estudo.
Por outro lado, pode criar a oportunidade do estudante ou professor encontrarem
textos, vídeos e outros materiais de estudo significativos que não estavam no
planejamento original, enriquecendo a aprendizagem.
Santaella (2003)
não considera as tecnologias como ferramentas e sim como dispositivos, devido
ao seu uso possibilitarem a estruturação de novas práticas. Por ser
programável.
Neste contexto,
Lévy (1999) propõe a reflexão sobre uma nova relação com o saber, por meio da
educação e cibercultura. O movimento fluído já relatado proporciona uma nova
visão na atualidade em relação ao saber e a nova natureza do trabalho na
pós-modernidade.
Todos podem
contribuir com seus saberes utilizando as redes, de uma maneira mais formal ou
relacionada a vida prática, isto se dá por meio da cibercultura que proporciona
novas formas de acesso a informação, novos estilos de raciocínio e conhecimento
através das tecnologias intelectuais que aumenta o potencial de inteligência
aos grupos humanos. Por isso, se torna muito importante a participação hoje em
dia nas comunidades colaborativas virtuais de suas áreas de interesse.
Outra questão é
o uso desta tecnologia digital como extensão de algumas de nossas funções
mentais. Por exemplo, quem ainda decora números de telefone? Delegamos esta
tarefa ao aparelho, enquanto nos preocupamos com questões mais desafiadoras. Como
se ele fosse uma extensão de nosso cérebro.
Assim, o autor
afirma que as novas tecnologias mudam profundamente os rumos da educação e da
formação, devido a, entre outras questões, estes espaços do conhecimento serem
mais abertos, com fluxo não lineares, onde o aprendente organiza sua busca pelo
conhecimento de acordo com os objetivos e contextos necessários à sua prática.
E não há conhecimento maior ou menor, e sim, a informação que vai ao encontro
do que o aprendente procura para seu aprimoramento profissional ou pessoal.
O autor também
menciona a EAD (Educação a distância) que explora novas formas de ensino,
utilizando-se a cibercultura e nomeia o professor de animador, a inteligência
coletiva, numa perspectiva que ele não será mais o transmissor do conhecimento,
posto que este nunca estará pronto e acabado, mas um motivador e orientador de
estudos da busca pelo conhecimento de acordo com os objetivos propostos.
Assim, a escola
e a universidade perdem o posto de palco exclusivo do saber e deverão assumir
uma nova postura diante da aquisição do conhecimento historicamente acumulado
que é a de orientar os percursos individuais e contribuir para o reconhecimento
dos saberes que a pessoa busca e possui. Em linhas gerais, esta será sua nova
competência.
No
desenvolvimento do ciberespaço, não há uma hierarquia de saberes, sua busca
está ligada a necessidade do interagente. Outra característica é a
inacessibilidade ao todo. Antes o conhecimento era totalizável e adicionável,
como uma pirâmide, podemos citar por exemplo quando DIDEROT e D’ALEMBERT,criaram a Enciclopédia ou dicionário raciocinado das Ciências, das Artes e dosOfícios e relacionar com as características das ciências da época e as mudanças
pós-modernas da época da cultura digital. Como o conhecimento era tratado na
era dura e na era fluída.
O exposto não
tenda a significar que temos acesso a tudo, a inúmeros fatores de ordem social
que limitam esta busca. Mesmo porque esta impressão de totalidade é um tanto
aterrorizante. Este acesso total é ilusório, o ser humano sempre está em busca do
sentimento de pertença, o que direciona sua busca. Portanto a navegação seria
uma metáfora desta totalidade, segundo o autor.
Na Cibercultura
há toda interatividade, é uma forma muito eficaz de comunicação, ela se
manifesta como um discurso carregado de significados, porém isso não impede o
contato interpessoal, que as pessoas se encontrem fisicamente.
Contribui para a
ampliação das funções mentais superiores, estritamente humanas, nomeadas por
Vygotsky, colaborando com as faculdades de conhecer os sistemas de signos e os
processos intelectuais de uma cultura.
Historicamente,
o saber foi transmitido pelo livro, após o surgimento da escrita. Nas
sociedades anteriores, não letradas, onde o conhecimento foi transmitido
majoritariamente de forma verbal, foram extintas. Depois veio o conhecimento
restrito e uma pequena tentativa de popularização com a Enciclopédia de DIDEROT
e D’ALEMBERT.
O ciberespaço é
uma mudança na relação direta com o saber, por meio das comunidades virtuais há
uma troca de saberes, tanto científicos quanto práticos, sem a hierarquização
do saber e com valorização do sentimento de pertença. Assim o indivíduo
sente-se mais acolhido diante do caos cibernético com tantas informações.
Estas comunidades
formam a tecnologia intelectual que possibilita aos grupos o compartilhamento e
construção de modelos mentais comuns, aumentando a inteligência coletiva,
ampliando as capacidades cognitivas humanas como a memória e o
raciocínio-lógico, recorrendo a representações mentais.
Deste modo, já
se encontram novos usos sociais para as tecnologias digitais, no campo pessoal,
familiar, social e econômico.
Oi Fernanda, senti tua reflexão muito presa às ideias dos autores. Procure "ancorar" isso tudo em tuas próprias ideias e experiências.
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