O Iluminismo
exerceu influência sobre a obra de Comte (COELHO, 2005, p. 24), que ficou
conhecida como o Positivismo, no sentido de ambas valorizarem o conhecimento
científico em detrimento dos dogmas religiosos, lendas e demais crendices
populares e terem contribuído significativamente para a evolução do pensamento
científico.
No entanto estas
duas correntes filosóficas apresentaram muitas diferenças. Os Iluministas
acreditavam que nossas ideias são baseadas em nossas sensações que são o ponto
de partida para observarmos os objetos exteriores e a nós mesmos, portanto, valorizavam
a importância dos signos para a comunicação das ideias nas sociedades.
Os expoentes do
Iluminismo foram entre outros, Diderot e D’Alembert que ao compilarem escritos
dos principais pensadores da época, organizaram a Enciclopédia das Ciências, das
Artes e dos Ofícios, com a intenção de socializar o conhecimento científico e
superar o religioso, propondo assim uma emancipação dos conhecimentos pois,
pretendiam construir uma sociedade de letrados, acreditando que a enciclopédia
seria uma forma de levar o conhecimento científico e artístico a todos. Como
propunham ao afirmar, “correspondendo ao conjunto organizado do saber a ser
ensinado a todo homem de bem” (NETO, et al., 1989, p. 16).
Propunham uma
religião revelada que instruísse sobre assuntos diversos, suplementando os
conhecimentos naturais, em oposição ao seu caráter dogmático. Nesta época foram
desenvolvidos estudos sobre a natureza, observação das propriedades dos corpos,
natureza dos movimentos, acreditando que todas as propriedades poderiam ser
unidas em um conhecimento simples e único.
Houve avanço da
Lógica, Comunicação e Gramática. “A ciência da comunicação das ideias não se
limita a pôr em ordem as próprias ideias; deve ainda ensinar a exprimir cada
ideia de maneira mais clara possível e, por conseguinte, a aperfeiçoar os
signos que são destinados a exprimi-la.” (NETO, et al., 1989, p. 39).
Neste sentido,
acreditam que o mesmo ocorreu com a construção das línguas nas sociedades, no
sentido da organização dos signos e propuseram a popularização do conhecimento,
por isso a nomenclatura a enciclopédia ser das Ciências, das Artes e dos
Ofícios”. De maneira diferente dos positivistas, os iluministas acreditavam nas
Artes como ciência e valorizavam a poesia, pintura e a escultura.
Já o positivismo é
uma forma de fazer ciência marcada pela adoção de um método de investigação que
enfatiza a observação, experimentação dos fenômenos e comparação propondo a
matematização da natureza, dado que, nesta época houve avanço da estatística,
por exemplo.
Com a pretensão de
distanciar-se do pensamento filosófico, os positivistas apregoavam como
inviável a produção de conhecimento científico sem uma delimitação teórica que
justificasse tal produção, apresentando que o conhecimento produzido seria o
reflexo da realidade estudada.
A ciência
positivista apresentava as seguintes características segundo Madureira e Branco
(2005): a) Separação excludente entre o pesquisador e o objeto estudado; b)
Creem que a subjetividade e a afetividade são fontes de erro para a ciência; c)
Propõem supervalorização do método e desprezo pela teoria e pela interpretação;
d) Tomam a ciência como neutra e objetiva; e) Delimitam o método de
investigação como o mesmo para todas as ciências; f) Mantém controle da
realidade como objetivo da ciência em uma descrição imparcial.
Segundo Comte, “o
social é o que há de mais humano no homem” e o desenvolvimento é tido como a
disciplina imposta aos sentimentos pelas regras sociais, buscando a plena
realização da humanidade pela solidariedade social. Para ele, nem tudo que é
humano é social, ou seja, só se pode chamar de sociedade um agrupamento humano,
baseado na transmissão de conhecimentos de uma geração para outra (COELHO, 2005,
p. 11).
Neste contexto
surge a sociologia para tentar explicar como os fatos sociais são afetados
pelas outras ciências e que compreendê-las é necessário devido as estas
influências, bem como a sociologia trará a proposta de evolução mental, tanto
individual como coletiva, processo de produção de ideias, sistematizada a
partir de conhecimentos reais.
Para Comte, “[...]a
impressão do descontínuo resulta da incapacidade da nossa inteligência de
aprender a complexidade cósmica.” (COELHO, 2005, p.12). O passo fundamental
para a constituição do espírito positivo é admitir esta incapacidade humana. Assim,
o conhecimento científico deveria “explorar as esferas delimitadas do real” (COELHO,
2005, p.12) para satisfazer nossas necessidades essenciais.
A moral é uma ideia
essencial no sistema positivista, que vai originar o pensamento da antropologia
comtiana. Pela “Leis dos três estados” o conhecimento humano passa por três
estados teóricos diferentes, o teológico ou fictício, o metafísico ou abstrato
e o científico ou positivo, considera as ciências como “ramo do mesmo tronco” (COELHO,
2005) por esta razão acredita que se deva aplicar os métodos das ciências
naturais sobre os fatos sociais. Para Comte, esta convergência de concepções
resultaria em um equilíbrio duradouro e neste aspecto o positivismo assumiria
uma função educativa.
Assim,
estabelecer-se-á a separação entre o conhecimento puro e a aplicação. Comte
acredita que ciência é somente o que pode ser explicado. Para ele o ambiente em
relação aos indivíduos tem importância secundária, se os seres humanos fossem
moldados pelo ambiente já estariam extintos. Assim, o ponto de partida para os
estudos é nitidamente o biológico. Ele diz que toda função orgânica só pode ser
estudada em relação ao órgão que a executa e as funções intelectuais só podem
ser observados os seus resultados. (COELHO, 2005, p. 31).
De acordo com os
positivistas, o rigor metodológico na ciência, garantiria a possibilidade de
generalização dos achados científicos. Para a construção de uma ciência perfeita.
No final deste período surgem algumas ciências humanas, entre elas a psicologia,
com algumas divergências de opinião em relação a alguns conceitos como o de
personalidade, instinto e outros, no entanto esta ciência principia adotando
este método de produção científica.
Referências:
COELHO, R. Indivíduo e sociedade na teoria de Auguste Comte. São Paulo.
Perspectiva. CESA: Sociedade Científica de Estudo da Arte, 2005.
DIDEROT, D.; D’ALEMBERT, J. R. Enciclopédia ou dicionário raciocinado das Ciências,
das Artes e dos Ofícios por uma sociedade de letrados. NETO, J. C. M. et
al. (orgs.) Tradução: Fúlvia Maria Luiza Moretto. São Paulo, Ed. Unesp, 1989.
MADUREIRA, A. F. A.; BRANCO, A. M. C.
U. A. Construindo com o outro: uma perspectiva sociocultural construtivista do
desenvolvimento humano. In: DESSEN, M. A.; COSTA JÚNIOR, A. L. A ciência do desenvolvimento humano:
tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre. Artmed, 2005.
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