Letramento Digital



Letramento Digital

O conceito de letramento tem sido nas últimas décadas muito difundido no Brasil. Pesquisas recentes têm intensificado a relação entre alfabetização e letramento e até foi proposto substituir o termo alfabetização pelo letramento. Assim, com o apoio da mídia surgiram termos como analfabeto funcional entre outros (Soares, 2004).
Escrita, alfabetização e letramento são processos indissociáveis, estão ligados entre si. “Enquanto a alfabetização ocupa-se da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos. O letramento focaliza os aspectos sócio históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade”(Tfouni, 2002).
Em decorrência destas questões, no Brasil, difundiu-se o termo letramento digital para designar aquele que domina os gestos e técnicas para ler e escrever em ambientes que empreguem a tecnologia digital. Assim “Letramento digital é o nome que damos, então, à ampliação do leque de possibilidades de contato com a escrita também em ambiente digital (tanto para ler quanto para escrever)”. (COSCARELLI; RIBEIRO,2005, p. 9 apud RIBEIRO, 2009).
Embora o computador tenha ampliado a possibilidade de construção de textos, a autora propõe a existência de diferentes graus de letramento. Com a popularização da internet, nota-se que “A internet e as máquinas digitais estão entre as opções mais recentes do letramento. Por isso uma preocupação com o uso das novas tecnologias surgiu entre aqueles que investigam a leitura e a escrita” (RIBEIRO, 2009)
Assim, surgiu também o conceito de analfabeto digital, pois o letramento se dá em vários domínios. Segundo a autora, pertencer a uma ou outra classe social define o acesso à máquina e a rede. Neste contexto, os letrados digitais, portanto, são mais raros nas classes menos favorecidas. Sob este enfoque, o uso do computador e internet, nos tempo atuais tem uma constituição histórico-cultural, como foram outras transformações, como o advento do livro, da imprensa e mais recentemente a popularização da TV (RIBEIRO, 2009).
De acordo com a autora (RIBEIRO, 2009), a escola e os professores são difundidos como os mais prováveis multiplicadores do letramento digital e neste contexto percebe-se que as aulas não devem ser realizadas para aprender a mexer no computador ou internet e sim, desenvolver projetos didáticos com interatividade.
Quando se fala do aluno com deficiência no contexto da escola inclusiva, a Tecnologia Assistiva pode auxiliar no processo de alfabetização, porém o letramento se desenvolve de forma relacional, na mediação do conhecimento dada na relação professor-aluno e/ou entre pares aprendentes.

REFERÊNCIAS

Soares, M. B. Letramento e alfabetização: as muitas facetas, Revista Brasileira de Educação, nº 25, 2004, p. 05-17.

Tfouni, L. V. Letramento e Alfabetização, 4.ed. São Paulo, Cortez, Coleção Questões da Nossa Época; vol.47, 2002.

Comentários

  1. Oi Fernanda, leia o outro texto indicado, que faz justamente a crítica a esse conceito de letramento digital, tomando por base justamente as especificidades do digital. Verás que conceiturar letramento digital a partir apenas das questões da língua é muito limitante...

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