Política educativa e cultura digital: entre práticas escolares e práticas sociais
Política educativa e cultura
digital: entre práticas escolares e práticas sociais
Acessar a internet, interagir
na rede, já faz parte do cotidiano de muitos estudantes brasileiros. Porém a
escola ainda não incorporou as tecnologias digitais ao seu currículo. A
interconexão digital abre novas possibilidades de fazer, relacionar-se, criar,
produzir, que não eram imaginadas num contexto analógico (BONILLA, PRETTO,
2015)
O artigo de Bonilla e Pretto
(2015) procura analisar esta dificuldade de articulação entre as práticas
sociais e as escolares e a constituição da cultura digital nas escolas
brasileiras.
A codificação digital permite a
articulação das mídias e trabalhar com múltiplas linguagens. Com estes
dispositivos é possível acessar uma perspectiva autoral, onde professor e
alunos constroem juntos o processo de produção de um texto, obra, atividade ou
produto, de acordo com a área do conhecimento, em uma produção coletiva.
Embora crianças e jovens
utilizem as diversas áreas do conhecimento para produzir os conteúdos que compartilham
na internet, muitos deles apresentam dificuldades para se inserir nos contextos
escolares. A cultura escolar ainda permanece na lógica da transmissão de
informações. Mas, porque há falta de sintonia entre a cultura escolar e
digital?
A partir da década de 90
iniciaram-se os debates voltados as políticas públicas de fomento as
tecnologias digitais, ingressando o Brasil na sociedade em rede, conforme
afirma Castells (1999). Atualmente a conhecida “geração Net” não se contenta em
serem consumidores passivos, como era na sociedade de comunicação de massa, gerando
uma nova abertura criativa e filosófica, exemplo: as crianças e jovens
compartilham diversos conteúdos na rede e até surgiu dentre outras a nova
profissão de you tuber.
Por isso, a escola deve
ultrapassar a antiquada ideia de uso de tecnologias como ferramenta para a
aprendizagem, e sim, compreender a cultura digital como processos
comunicacionais, de experiência, de vivência, de produção e de socialização
dessas produções, numa perspectiva não-linear e multidimensional, de acordo com
o exposto por Sampaio e Bonilla (2012).
A convergência das mídias,
articulada com uma conectividade adequada permitiria a alunos e professores
oportunidades ímpares de criação. A dificuldade de banda larga nas escolas, é
um dificultador deste processo, revelando a realidade de um país desigual.
Assim, faz-se necessária a inserção de políticas públicas para implementação
das tecnologias digitais na sociedade brasileira, porém, não se vislumbra
vontade política para fazê-lo. Atualmente o sistema está entregue as teles (empresas
privadas de telefonia).
Mesmo neste contexto, há
exemplos de projetos e programas de muito sucesso, idealizados em escolas
democráticas onde há horizontalidade em sua organização e todos os membros da
comunidade escolar se sentem participativos.
Bacana Fernanda, boa articulação entre as discussões que fizemos ao longo do semestre.
ResponderExcluirDe fato Fernanda, não basta apenas dotar a escola de tecnologia se a concebemos ainda como uma ferramenta, como também não basta ter os equipamentos se as lógicas e as concepções de uso destas, nas práticas pedagógicas reproduzem o modelo analógico de transmissão de conhecimentos! Dessa forma é difícil constituir na cultura escolar a cultura digital !
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