Internet das coisas e Cibercidadania
Os assuntos hoje são
complementares e bastante polêmicos, embora inovadores e arautos de grandes
perspectivas de desenvolvimento.
Conversaremos hoje sobre a Internet
das coisas e a Cibercidadania.
A Internet das coisas amplia a
comunicação entre pessoas e objetos; tenho a citar como exemplo a cadeirinha
que avisa se esquecer o bebê no carro.
Na linha da internet das coisas,
os objetos ganham funções infocomunicacionais. Pela sua programação, parece que
os objetos se comunicam e tomam decisões. Quem nunca pesquisou um assunto na
Web e depois começou a receber informações e propagandas sobre o tema?
Há muitas conspirações e tensões
em torno deste tema, até séries de TV, como por exemplo: o episódio de Black Mirror:
as máquinas controlando os humanos, que no episódio gravam cenas do cotidiano
sem autorização e depois ameaçam divulgar segredos irreveláveis dos personagens.
Segundo Lemos, há um Hibridismo –
internet das coisas e das pessoas, pois a coisas não se criam ou programam
sozinhas. Todos os passos incríveis que realizam foram programados. Até as combinações
que se assemelham a tomadas de decisões foram programadas, previstas em um
lógica de programação.
Então, sempre acaba sendo
internet das pessoas, a diferença está na relação, cujos dados e o automatismo
passam a ser fatores centrais E por ser idealizada e programada por pessoas,
está passível de muitas falhas inerentemente humanas.
O autor traz a informação nova
para mim que, hoje há mais objetos do que pessoas conectados na internet em
todo o mundo.
Como um lado bom da Internet das
coisas está a comodidade que proporciona.
Muitas destas tecnologias que
hoje são usadas para conforto das pessoas, “tecnologia para facilitar o
dia-a-dia das pessoas”. Originaram-se como Tecnologia Assistiva, como por
exemplo, o controle de ambientes, foi pensado, projetado e pesquisado
inicialmente para acessibilidade de pessoas com dificuldades de mobilidade como
a paraplegia.
“Para as pessoas sem deficiência
a tecnologia torna as coisas mais fáceis.
Para as pessoas com deficiência,
a tecnologia torna as coisas possíveis”.
(RADABAUGH,
1993)
Articulando a questão da
Tecnologia Assistiva, o Desenho Universal e a Internet das coisas, poderíamos
pensar em uma casa totalmente acessível.
Porém, de nada adianta todo este
avanço tecnológico se permanecerem as barreiras atitudinais.
Também está sendo divulgado um lado
ruim do avanço da internet das coisas que é a suposta perda de privacidade que,
não sabemos até que ponto é fantasiosa ou revela-se um perigo real. Pois, as
máquinas, robôs e eletrodomésticos “tomando decisões” sem o interagente
precisar disparar os comandos assusta boa parte das pessoas e não sabemos quais
serão os próximos passos disso.
Porém, dentro deste contexto, nem
todos têm acesso a estas novas tecnologias. Não poderíamos deixar de discutir
aqui que a internet ainda não é acessível para todas as camadas sociais. A inclusão
digital, como tantas outras, ainda precisa ser melhor implementada em nosso
país.
Há algumas iniciativas, como a
PEC– 479, de 2010, que comentaremos a seguir mas, que não tomam uma abrangência
de política pública de acesso com qualidade e realmente para todos.
No campo educacional, como se dá
a formação dos profissionais com esta nova tecnologia?
Pelo que expusemos sobre a
Internet das Coisas, já suscita o repensar da forma como professores elaboram
estratégias didáticas em relação ao modo como as informações serão apreendidas
e aprendidas pelos alunos no transcorrer do processo de ensino-aprendizagem (LEMOS, 2013).
O autor menciona a questão dos
mundos material e informacional que se fundem, por meio da interface
comunicacional e nesta relação com o conhecimento produzido colaborativamente
entre professores e alunos, ainda há dúvidas quanto a qualidade do conhecimento
produzido, pelo conflito de gerações pois, pesquisa apontam que muitos
professores ainda planejam atividades nos moldes da web 1.0 e os alunos
precisam de informações de como pesquisar na internet em sites confiáveis, como
interagir de maneira segura neste ambiente, entre outros.
Todos este assuntos, permeiam as
discussões sobre a Internet das coisas e a Cibercidadania.
Que desencadeia outros assuntos
que são a teledemocracia e a cibercidadania, que embora não pareça tem sobre pano
de fundo a questão das relações humanas; pois, para saber se comunicar,
interagir e não correr riscos pela web, ente ostras questões, requer que a
pessoa tenha habilidades sociais desenvolvidas, senão, não daria certo, como
nos relacionamentos presenciais.
Para tentar aprimorar a inclusão
digital em nosso país, foi elaborada a PEC – 479, de 2010, que versa sobre a Inclusão
digital e a cibercidadania, procurando garantir o acesso à internet em alta
velocidade como direito fundamental.
Neste contexto, a questão que se
coloca é a seguinte: simples garantia de acesso à internet é suficiente para
que se desenvolvam a teledemocracia e a cibercidadania no Brasil? Com base
nesta questão Neto e Nascimento (2013) elaboraram sua pesquisa e concluíram:
Verificou-se que a inclusão digital depende de diversos fatores,
estando intimamente ligada com a inclusão social, sendo que o simples acesso à
internet não é capaz de reduzir a exclusão digital. Isso em virtude de que as
pessoas devem possuir meios para transformar informação em conhecimento, o que
não se adquire com a mera possibilidade de conexão à rede mundial de
computadores.
[...]capacidade de gerar informações, de analisar criticamente o que
está na rede, com a possibilidade de criar sua opinião e saber sustentá-la em
debates virtuais, ou seja, precisa-se dar a oportunidade para que as pessoas
desenvolvam o seu potencial cultural, educacional e social, para que façam do
espaço público virtual um verdadeiro meio de participação.
Conclusão esta que nos instiga a
novas perguntas. Quando será realidade?
Até porque é interessante
economicamente para as empresas que monopolizam o serviço? Elas permitirão,
tendo em vista o jogo de favor e conchavos envolvendo políticos e empresários,
tão divulgadas recentemente pela mídia? Além do que estes serviços em países em
desenvolvimento como o nosso possuem tecnologia ultrapassada e de baixa
qualidade em todo o Brasil, sendo ainda pior em algumas regiões não tão
próximas a polos econômicos. Exemplifico pela péssima qualidade do serviço de
internet paga/banda larga que tenho recebido em casa. Pela empresa Vivo, que
anuncia como Vivo fibra, inclusive vindo esta informação na conta, mas instala
internet a cabo
UTP, par traçado e não comunica ao cliente. Outra situação posta, é que
na propaganda é dito que o cliente pode escolher a velocidade de internet que
deseja adquirir, porém, ela está condicionada a existência de cabos no local,
exemplo: Comprei 25 megas e instalaram 15 megas, como reclamei, eles informaram
que não havia cabos de 25 no meu endereço e só me restava a opção de baixar
para 15 megas ou desistir da compra. Se, para conseguir internet paga a
situação ainda está assim, infelizmente a perspectiva de banda larga com
qualidade para todos, ainda está looonge de se tornar uma realidade em nosso
país.
A
cibercidadania tem gerado
modificação dos laços sociais, tanto positiva como negativamente. Participar de
comunidades virtuais, assim como nas Comunidades reais/analógicas pressupõe um
exercício de tolerância, convivência com a diversidade, entre outros. Como por
exemplo a situação de expor sua opinião na Web, sobre determinado assunto, pode
ocasionar manifestações tanto de apoio como de repúdio.
Outro exemplo evidente são os movimentos
sociais disparados pela internet com manifestações no mundo real, como as
passeatas que o pessoal tem combinado pelas redes sociais, como os rolezinhos e
outros.
Porém nem todos estão ainda
dentro deste mundo virtual, alguns poucos por opção, mas, a maioria que não
está conectada é por ter este seu direito, dentre outros, negado. Os
pesquisadores Neto e Nascimento (2013) concluem que para se oferecer internet
para todos, deve ser acompanhada de uma série de esclarecimentos de diversas
ordens sociais, para não se tornar somente mais uma ferramenta para a
manutenção da passividade popular.
Conclui-se afirmando que, ser
humano ainda tem muito o que se trabalhar, como pessoas, para a cibercidadania
tornar-se uma realidade.
Para saber mais:
Encontré muy inspiradora la frase que usted menciona: "para las personas sin deficiencia, la tecnología torna las cosas más fáciles, y para las personas con deficiencia, la tecnología torna las cosas posibles" es maravilloso pensar como la tecnología, a pesar de tantos detractores, lo que hace es mejorarnos la vida, y para las personas con necesidades especiales, les permite una mayor inclusión en la sociedad.
ResponderExcluirTambém gosto muito desta frase Angela. Muito das tecnologias que hoje nos servem de conforto, foram pensadas inicialmente para melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiências.
Excluirrealmente, o acesso não é suficiente, embora seja fundamental. Mas é preciso investir em educação em nosso país, para que possamos aproveitar toda a potencialidade do acesso.
ResponderExcluirSó cuide que não podemos confundir o contexto analógico com o real. O virtual é tão real quanto o analógico...
Verdade, o mundo virtual é tão real quanto o analógico, influencia desde a formação da personalidade até decisões de grandes nações.
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